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Prática Deliberada da Prática

A Prática Deliberada como recurso essencial para a melhoria contínua rumo a uma performance superior Homem celebrando as metas alcançadas

A maior parte das pessoas acredita que a prática leva à excelência. Que quanto mais experiência um profissional tem em determinada atividade, melhor ele é. Mas se observarmos com atenção, encontraremos nas empresas muitos casos de pessoas que após um período inicial de desenvolvimento de competências básicas relacionadas às suas funções, estacionam num nível de proficiência limitado e lá ficam pelo resto da vida. No universo da música e nos esportes também nos deparamos com esse fenômeno, de forma até mais evidente. Quem não tem um amigo que joga vôlei ou futebol toda semana há décadas e desde sempre tem a mesma performance?!

Anders Ericsson, Professor da Florida State University, em seus estudos sobre o desenvolvimento de competências rumo à excelência sentencia que a Prática Simples tem exatamente essa característica. Depois de atingir um patamar de desempenho satisfatório em uma atividade, a maior parte das pessoas tende a continuar repetindo o que aprendeu inicialmente sem contudo melhorar efetivamente. E o pior: em muitos casos o que se nota é uma regressão do desempenho, fruto da acomodação ou da desmotivação.

Ericsson indica que para continuar evoluindo é necessário estabelecer o que ele chama de Prática Intencional. E para chegar ao limite da performance existem alguns ingredientes adicionais que elevam a metodologia para um outro nível, que ele batiza de Prática Deliberada.

Mais do que entrar em detalhes com relação aos suas pesquisas, minha preocupação é responder: como podemos aplicar tais estudos no processo de desenvolvimento de competências profissionais nas organizações?

No meu entendimento a forma mais prática e útil de lançar mão desses conhecimentos dentro da realidade empresarial começa com uma definição clara e o mais objetiva possível sobre o que é excelência na competência que você quer desenvolver. Muitas pessoas começam a jornada rumo à performance suprema sem entender exatamente o que isso significa. É importante responder o que você quer conseguir fazer e o quer quer colher quando chegar lá. A sua definição pode mudar ao longo da jornada e eu não vejo nenhum problema nisso, pois com a vivência você vai aprender coisas que lhe permitirão estabelecer referências cada vez mais realistas.

Depois é importante encarar cada oportunidade de praticar a competência em questão como uma chance de aperfeiçoar sua execução. Se você simplesmente realizar a tarefa, não estará se aproximando da Prática Deliberada. Se fizer de forma focada e prestando atenção em como está fazendo e quais estão sendo os resultados, aí sim estará rumando para a excelência. Nesse sentido, poder contar com um professor ou coach para a empreitada é extremamente benéfico, já que ele poderá lhe ajudar a planejar antes e refletir depois da execução. E se for possível que ele lhe acompanhe enquanto executa a atividade, melhor ainda. Por isso, um líder preocupado com o seu desenvolvimento é o agente ideal, já que ele pode participar dos passos anteriores, do momento em que coloca a competência em ação e dos momentos posteriores. Importante notar que o feedback imediato após a prática é um ingrediente fundamental e o que permite o ajuste sucessivo na performance. Se for inviável o seu coach/líder presenciar a cena, a ajuda de algum colega pode ser providencial.

Como último recurso, lance mão de uma auto análise crítica. Sempre procurando estabelecer objetivos além da sua zona de conforto a cada prática. Só a perspectiva de estar buscando o limite tem o poder de puxá-lo para o desempenho máximo.

O ideal é dividir a competência em seus ingredientes e trabalhar em cada um deles de forma isolada e concentrada, melhorando e consolidando vitórias sucessivamente. Se a competência permitir estabeleça práticas individuais. Os estudos do professor da Florida State University estabeleceram uma altíssima correlação entre treinar sozinho e o nível de performance.

Existe mais que pode ser discutido com relação ao tema, mas isso que foi dito é muito diferente da Prática Simples que permeia a vida da maior parte dos profissionais. Se você caminhar nesse sentido estará realizando uma grande evolução. Como você pode notar, a Prática Deliberada não é divertida, mas exigente. Então não vale a pena sair por aí usando-a para tudo. Escolha bem as suas batalhas e invista de verdade naquelas competências que valem a pena. Aquelas que têm o poder de gerar avanços significativos na sua carreira ou um nível de satisfação que lhe faça gostar cada vez mais da profissão que seguiu.


Tags • Anders Ericsson Aumento de Performance Desempenho Desenvolvimento de Competências Melhoria contínua Prática deliberada

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