O QUE FALAMOS

Appreciative Inquiry (Investigação Apreciativa)

Uma visão sintética e crítica das obras Appreciative Inquiry, de David Cooperrider, e The Power of Appreciative Inquiry, de Diana Whitney lupa em um fundo amarelo; investigação, curiosidade

O tema dessa semana é Appreciative Inquiry. E como hoje é sexta feira*, tem resumo de livro. Só que dessa vez, ao invés de resumir, capítulo a capítulo, vou experimentar outro caminho. Vou colocar uma síntese estrutural do tema, para quem quer ter uma visão inicial, baseada em dois dos livros mais importantes na área: Appreciative Inquiry do David Cooperrider (criador do conceito) e The Power of Appreciative Inquiry da Diana Whitney (e outros), co autora do Cooperrider no livro anterior. Lembrando sempre que essa é a minha leitura e interpretação sobre o tema. Vamos lá:

Appreciative Inquiry é uma filosofia de trabalho e um conjunto de técnicas para Gestão de Mudanças, baseadas na premissa de que todas as organizações foram criadas para resolver um problema (de alguns consumidores, da sociedade) e que portanto não faz sentido tratá-las como problemas a serem resolvidos. Podemos dizer que é a aplicação da “Psicologia Positiva” no âmbito organizacional. A ideia central, então, é recorrer ao que a empresa tem de melhor e se basear nisso para construir a plataforma de evolução. Isso não significa ignorar os problemas, mas encará-lo por outra perspectiva. Desde a definição do desafio. Assim, uma companhia aérea pode dizer “queremos diminuir o extravio de bagagem” ou “queremos proporcionar uma experiência de desembarque sensacional para nossos clientes” e depois procurar em suas competências existentes as alavancas para materializar a visão, ao invés de focar nos gaps e lacunas.

Essa é a essência da Investigação Apreciativa. Se você quiser entender os cinco princípios essenciais que a lastreia, siga o texto. Se quiser apenas saber como colocá-la em prática pule para o parágrafo seguinte.

Essa filosofia de trabalho está baseada em cinco princípios iniciais, a saber:

  1. Construcionismo: acredita que a realidade é criada através das conversas nas organizações e que portanto para transformar a realidade o caminho é transformar o conteúdo das comunicações.
  2. Simultaniedade: prega que as perguntas em si não apenas geram mudanças, mas são a mudança e que portanto na medida em que fazemos as perguntas certas já estamos mudando.
  3. Poético: preconiza que uma organização muda na direção daquilo que as pessoas que a compõem estão estudando e que portanto aquilo no que as pessoas focam suas atenções acaba por definir o que a organização será.
  4. Antecipação: crê que sistemas humanos se movem na direção das imagens que criam e que portanto, quanto mais positivas e esperançosas forem as imagens no presente, mais positivas serão as ações no futuro.
  5. Positividade: afirma que perguntas positivas levam a mudanças positivas, e que portanto um processo que sistematiza a realização desse tipo de questão amplifica os efeitos positivos pretendidos.

Alguns consultores ampliaram esses princípios. Diana Whitney, por exemplo propõe mais três: Inteireza (envolvimento de todos), Promulgação (agir como se a mudança já tivesse acontecido) e Livre Escolha (liberdade para fazer o que acha certo).

A materialização da filosofia acontece através de um processo chamado de 4 Ds:

  • Discovery: nessa fase são realizadas entrevistas e encontros que trazem à tona aquilo que dá vida à organização; suas virtudes; para que sejam entendidas e apreciadas.
  • Dream: aqui a empresa define o que é possível com base na fase anterior, buscando entender o que a empresa pode vir a ser.
  • Design: quando são definidas estruturas e estratégias baseadas no que a empresa tem de melhor para transformar o sonho em realidade.
  • Destiny: no início essa fase se chamava delivery e se prestava a desenhar os processos e planos de ação, mas o tempo mostrou que o controle mais atrapalha do que ajuda, então a sua essência mudou (e com isso o nome). Passou a nortear uma preocupação com o estabelecimento de diretrizes claras e construção de engajamento dando espaço para a criatividade e improvisação.

Vale encerrar dizendo que da mesma forma que a Psicologia Positiva está em seu início, a Investigação Apreciativa também dá seus primeiros passos. Muito ainda a ser discutido e descoberto. Mas o fundamento promete se consolidar. O que traz prosperidade não é apenas melhorar o ruim, mas principalmente alavancar o bom.

 

* Publicado originalmente em: https://www.linkedin.com/pulse/appreciative-inquiry-uma-vis%C3%A3o-sint%C3%A9tica-e-cr%C3%ADtica-yuri-trafane/

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Tags • Appreciative Inquiry David Cooperrider Diana Whitney Gestão de Mudanças Investigação Apreciativa Resumo literário

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