Pressão crescente, decisões rápidas e Geração Y.

Em meio à leitura do livro “Rápido e devagar – Duas formas de pensar” de Daniel Kahneman, que trata das formas como o cérebro funciona nos momentos decisões. Ele divide em duas principais formas decisão: a Rápida quando utilizamos nossa intuição, juntamente com previsões rápidas do futuro imediato e as consequências dos caminhos escolhidos.

Esta forma de decisão é imprecisa, porém muito útil em momentos de pressão, emergências, urgências ou para pequenas coisas da vida que não têm muita importância e, portanto, não merecem que nos detenhamos a elas. Vamos melhorando nossas decisões deste tipo ao passo que ganhamos experiências e vivência nos assuntos de nossa especialização.

O autor destaca que só é possível ter boa intuição e decisão rápida quando temos muitas horas de “estrada”.

A outra forma, Devagar, diz respeito ao uso de nossa cognição e inteligências e são aplicadas quando o assunto requer maior nível de detalhes e é imprescindível a utilização de análises e verificações. Esta forma de pensar é em geral a maneira que utilizamos, também, em nosso início de carreira. Quando temos poucas experiências e vivência acumuladas.

Esta reflexão me fez pensar nas dificuldades que estamos tendo com o pessoal da geração Y que está chegando às empresas.

Com o aumento continuado da pressão por resultados cada vez mais rápidos estamos solicitando que esta nova safra de executivos sejam submetidos a padrões de decisões muito rápidos e, portanto, sem o tempo necessário para o tipo de pensamento Devagar, como chama Daniel Kahneman. Como estes executivos não têm experiência e vivência suficiente para decidir rapidamente e com nível de acertos aceitável o que temos tido é uma performance não condizente com a geração mais bem formada da história da humanidade.

Será preciso dar tempo ao tempo. Este tipo de pressão cada vez mais cedo pode destruir talentos e gerar muitas frustrações nas empresas. Quadro que já estamos vendo em muitas organizações.

E olhe que nem dá pra dizer que isto é novidade; eu estive envolvido com empresas de tecnologia em meio a bolha das ponto.com e um dos fatores que determinaram o desaparecimento de muitas delas foi a pouca experiência dos executivos que comandaram aquelas empresas.

Um pouco mais devagar talvez seja melhor para todos.

Fique atento.

Sobre o Autor

Formou-se em Marketing pela ESPM. É pós-graduado pela FAE (Curitiba-PR) e tem MBA com ênfase em Gestão Empresarial pela FEA-USP. Atualmente se dedica ao estudo da Neurolinguistica aplicada ao marketing, vendas e negociação. É especialista com larga experiência em marketing, comunicação, vendas e gestão comercial. Atuou como executivo em empresas líderes de mercado como Grupo Camargo Corrêa, Placas do Paraná, Moore Formulários, GTech, Bovespa e Grupo Estado. Hoje dirige a Ynner Treinamentos, empresa de treinamentos e consultoria e é professor de estratégia empresarial, marketing e comunicação em cursos universitários e MBA. Pratictioner em Neurolinguistica, reconhecido internacionalmente pela NLPU University, Califórnia e Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching, licenciada pelo BCI - Behavior Coaching Institute e reconhecido pelo ICC - International Coaching Council. Follow @rubens_coach

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