Comunicação interpessoal
Há muito temos desenvolvido temas sobre relacionamento interpessoal, as empresas buscam resolver seus problemas de relacionamento através destes temas, psicólogos, professores, palestrantes, gestores, enfim muita gente envolvida em melhorar a performance das equipes através da melhoria dos relacionamentos, comunicação interpessoal em geral é algo tratado como parte do processo e muitas vezes tocado levemente.
Penso ser o contrário: Comunicação Interpessoal é a questão principal que se relaciona com resultado e performance. Relacionamento é o resultado que se estiver ruim só será reparado com muita conversa.
O problema já virou uma epidemia e basta conversar com as pessoas inseridas no ambiente corporativa para ver que a maioria anda insatisfeita com os relacionamentos nutridos neste ambiente. O que tem, na maioria dos casos, respingados na vida pessoal e nos relacionamentos familiares.
Sou um estudioso do efeito da comunicação nos relacionamentos, ando há alguns anos atento ao que uma boa ou má comunicação pode fazer nos resultados de uma equipe ou na vida profissional de um executivo. E, desde os tempos de faculdade venho testando formas de comunicação no mundo corporativo, com minhas equipes, meus pares, clientes e fornecedores.
Não é possível desconsiderarmos nossas origens e nosso meio social, que são os ingredientes que nos formaram como povo e como indivíduos e isto certamente influenciam nossa comunicação.
Recentemente tive contato com o relatório do psicólogo holandês Geert Hofstede, que estudou como as pessoas trabalhavam juntas, como resolviam problemas e como se relacionavam com a autoridade.
A juntarmos nossas origens e sociedade ao que Geert Hofstede chamou de IDP – Índice de Distância do Poder – vamos entender porque nossa comunicação é tão mitigada e circular, onde se origina esta forma de comunicação que evita irmos ao cerne da questão e fazemos tanto rodeios para comunicar algo importante. O que faz com que nos melindremos tanto com pessoas que possuem uma forma de comunicação mais direta e mais pontual.
O discurso mitigado é uma forma de abrandar ou modificar o sentido do que está sendo dito, e que, no fim das contas pode ser mais educado e brando, mas explica também as grandes anomalias nos discursos das reuniões, dos trabalhos em equipe e das gestões que são verdadeiros desastres.
Nossa cultura nos levou a acreditar e praticar que a responsabilidade do entendimento de uma comunicação é quem a recebe. Isto pode ser verdade, mas não tira do emissor a responsabilidade da preocupação em ser claro, e é neste ponto que a mitigação pode comprometer todo entendimento de uma ordem.
Clareza e segurança são os ingredientes da boa comunicação verbal e escrita.
Analise os e-mails de sua empresa e veja o grau de mitigação naqueles que resultaram em baixo grau de performance, em erros e até em confusões nos relacionamentos inter e intra-departamentais.
Nos treinamentos e consultorias da YNNER temos trabalhado a questão da comunicação em vários níveis: intrapessoal, interpessoal, intra-equipe, inter-equipes, em público e para o mercado. O que temos visto é gente com formações impecáveis e sem a mínima idéia de como transmitir conhecimentos, orientações, ordens e comunicados. A confusão anda grande!
Nossas orientações aos clientes acerca da Gestão dos Recursos da Comunicação Empresarial têm levado a melhorias substanciais na comunicação, na clareza, na segurança e de quebra na qualidade dos relacionamentos e na vida dos envolvidos.
Mudamos o foco, o responsável pela comunicação passa ser quem comunica. Diminuímos os transtornos e melindres de quem gosta de muitos rodeios e, portanto comunicações como: – olha eu vou precisar disto para segunda-feira, se for dar muito trabalho não se preocupe. Mas se você tiver um tempo, será ótimo.
Para: – Preciso disto para segunda-feira, pois compõe o relatório que entregaremos na terça.
Orientação transmissora é responsável pela clareza do que comunicamos, seja escrito ou falado. Se no momento da comunicação houver a possibilidade de compor com comunicação não-verbal adequada, a situação ficará muito facilitada, mas se isto não for possível como no caso de telefonemas e e-mails nossa recomendação é para redobrar os cuidados no sentido de aumentar a clareza e a segurança de que o que se quer dizer é o que está, de fato, sendo dito.
Gestão dos Recursos da Comunicação: temos dito, deve ser monitorado mais do que conhecimentos técnicos, pois estes as universidades têm se incumbido com grande eficácia. Desconheço universidades que preparam seus alunos para serem profissionais que saibam se comunicar.
Rubens Pimentel Netoly
Formou-se em Comunicação social pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing. Aperfeiçoou-se através do MBA com ênfase em Gestão Empresarial pela FEA-USP. É Practitioner em Neurolinguística, reconhecido internacionalmente pela NLPU University, Califórnia e Coach pela SBCoaching licenciada pelo BCI–Behavioral Coaching Institute e reconhecido pelo ICC – International Coaching Council.





