O QUE FALAMOS

O empreendedor e suas facilidades. Oi?!

A saga do empreendedorismo sob o prisma da Jornada do Herói Mulher saindo para uma jornada

Em sua saga empreendedora acredito que você tenha se deparado com algumas ofertas semelhantes a:

  • Os 10 passos para o sucesso;
  • Empreenda fácil;
  • Como empreender em 7 lições;
  • Empreenda e seja feliz, dentre outras.

Pois é, existe um mito — que parece encontrar alguns adeptos — sobre as facilidades de se empreender no Brasil. Talvez algumas dessas pessoas nunca tenham empreendido na vida e, portanto, não tenham a dimensão desse “herói” que é o empreendedor brasileiro que mata muito mais do que um leão por dia.

Aliás, falando em herói, lembrei da famosa saga desenvolvida por Joseph Campbell, um dos maiores estudiosos e propagadores da jornada do herói. Campbell percebeu o quanto essa técnica era utilizada em mitos, lendas e fábulas para mostrar a transformação de uma pessoa comum em herói, passando pelas provações até o recebimento da recompensa em 12 atos.

Farei uma analogia do mundo empreendedor utilizando os 12 atos da jornada do herói.

1 – O mundo comum
A nossa futura “heroína” Renata, está totalmente insatisfeita em seu emprego não enxergando nenhuma perspectiva de melhora. Sempre sonhou em empreender, mas tem medo de trocar o salário pela “aventura” de montar seu próprio negócio. Será que daria certo? Esse pensamento passa pela sua cabeça, mas rapidamente o seu dia a dia a consome, fazendo com que isso se perca frente a todas as suas tarefas.

Nesse momento nossa personagem possui uma visão limitada sobre o seu mundo, achando que assim é a vida e que nada pode ser feito para alterar essa realidade.

2 – O chamado à aventura
Metas absurdas, superior hierárquico despreparado, trânsito maluco, reestruturações na empresa, falta de perspectivas de crescimento e tantas outras coisas fazem com que Renata pense com mais força na possibilidade de empreender. Ela sente a necessidade de tornar-se alguém que pode buscar o seu sonho.

3 – Recusa ao chamado
Aquela chama que começou a ficar insuportável é apagada em virtude de conversas com alguns colegas da empresa que a orientam a repensar o seu desconforto. Alguns colegas alegam que já tiveram esse sonho, mas procuram demonstrar as dificuldades de empreender, a importância do salário no final do mês, a situação do país, dentre outros argumentos. Apesar disso, alguns colegas pensam, mas não falam, que gostariam de ter a coragem de tomar essa iniciativa. Renata volta à rotina do seu dia a dia.

4 – Superação da relutância
Após realizar uma imersão de autoconhecimento, entender com clareza o seu propósito de vida e que não gostaria de chegar ao fim dela sem tentar buscar o seu sonho, Renata procura um amigo empreendedor para uma conversa. Esse amigo fala sobre a importância da preparação, da importância da conversa com outros empreendedores, do mapeamento da rede de contatos que pode lhe ajudar, as dificuldades da fase inicial, a importância da família nessa decisão, seus dilemas, seus medos, mas também os benefícios de ver o seu sonho sendo concretizado apesar de todas as dificuldades.

Ela então toma a decisão de buscar o seu propósito, ciente das dificuldades que pode enfrentar. Afinal, quantas pessoas chegam ao fim da vida sem tentar viver aquelas experiências que sempre sonharam?! A vida passa tão rápido…

5 – O cruzamento do limiar
Renata começa a se preparar. Realiza uma série de cursos, acessa a sua rede de contatos para troca de informações e busca de novas percepções, desenha o seu modelo de negócios, monta um protótipo para testar as suas hipóteses e toma a decisão de sair da empresa. Ela aceita que deve deixar o seu mundo comum para trás para se tornar um novo ser. Ao se despedir dos colegas da empresa, muitas comentam em voz baixa – Como eu gostaria de ter essa coragem…

6 – Testes, aliados e inimigos
A operação do seu dia a dia na empresa é algo que ela nunca imaginou. O seu paradigma era o de trabalhar em uma área, agora tem que pensar em tudo: contas a pagar que não param de chegar, atraso de funcionários, dificuldades com fornecedores, empréstimos anunciados, mas que na prática precisam comprovar que você que tem mais do que aquilo que está pedindo, pressão por resultados de curto prazo, fluxo de caixa, atendimento a clientes, legislação, impostos, fiscais, dentre outros. Nesse momento a nossa “heroína” começa a lutar com todas as suas forças. Mesmo tendo estudado, não imaginava que fosse sentir toda essa bagunça de sentimentos. A luta contra o seu medo de não dar certo começa a ser uma grande batalha. Chega em casa exausta e se questiona se fez a opção correta.

7 – Aproximação da caverna profunda
O seu medo do insucesso aumenta e ela começa a se questionar se tem capacidade para dar conta do negócio. Sua autoestima começa a baixar. Alguns amigos, que gostariam de ter a coragem dela, começam a falar “Eu lhe disse para não fazer isso.” Ela começa a entender que possui uma série de limitações e que precisa de ajuda de outras pessoas para dar conta do recado.

Sente que em breve terá que tomar uma decisão que pode mudar radicalmente a sua vida. “Será que não vou conseguir realizar meu sonho?”

8 – Provação
Busca de todas as formas ampliar o seu conhecimento e conversa habitualmente com alguns de seus mentores para acelerar o seu aprendizado. “Ou vai, ou racha”, pensa ela. Decide lutar com mais força para que seu sonho seja concretizado. Apesar disso, enfrenta o dilema diário – Será que devo fechar o meu negócio? Será que estou sendo teimosa?

Enfrenta o seu maior medo. Muitos empreendedores nessa fase decidem fechar os seus negócios.

9 – Recompensa
O seu esforço começa a ser recompensado. O negócio começa a melhorar e, apesar do cansaço físico e mental, Renata começa a reconquistar sua autoestima. Entende que esse processo que está passando é fruto de seu amadurecimento e que a ansiedade e o desespero não trazem nenhum benefício. Se reconecta com sua essência e com seu sonho, tendo clareza que novos desafios virão, mas que tem aprendido muito. Sente-se mais forte e confiante.

10 – Estrada de volta
Tendo alcançado o objetivo inicial de manter seu negócio funcionando, a nossa heroína decide continuar o seu sonho e percebe que o caminho deve ser vivenciado intensamente, ou seja, não buscando apenas a meta. Começa a pensar na expansão, apesar do negócio ainda não estar maduro para isso. Começa a sonhar mais alto.

11 – Ressurreição
O mercado entra em uma crise jamais vista na história e todos os seus medos e aprendizados são colocados a prova. Luta com todas as suas forças para manter o seu sonho, tendo um pouco mais de paciência e técnica para vivenciar esse momento. Chega no limiar da falência e consegue retomar as rédeas do seu negócio.

12 – Retorno com o elixir
Renata entende que os negócios sempre terão altos e baixos e que o autocontrole e autoconhecimento são questões essenciais para quem empreende. A nossa heroína começa a proferir palestras contando a sua trajetória, suas lutas diárias contra sua mente, seus paradigmas iniciais X necessários, e sabe que o processo de empreender não é algo fácil, mas que cada um tem que fazer a sua própria travessia.

Não existem os tais 10 segredos para empreender com sucesso. Percebe que o propósito de empreender é nobre e faz com que o país se desenvolva, pessoas cresçam, famílias sejam sustentadas e que o legado que ela deixará no mundo é o alimento diário para suas energias.

É, realmente o processo de empreender é algo fácil… Oi?!


Tags • Empreendedorismo fábulas jornada do herói joseph campbell Storytelling

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